22/10/07

BURACOS NEGROS X PONTOS LUMINOSOS


Apesar do meu dia de hoje ter tido inúmeros buracos negros, não me posso queixar. Teve, também, pontos luminosos e brilhantes. E...no fim das contas, estes prevalecem sobre aqueles. Os primeiros, acabam por ser efémeros, os segundos é que contam porque resistem, sobreelevando-se como se fossem inselbergues, à planura da corrosão dos dias que têm buracos negros.

21/10/07

LHASA DE SELA

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Há muito tempo que não ouço nenhum destes CD da Lhasa de Sela. La Lhorona, de 1998, foi uma enorme surpresa para mim. Ouvi-o vezes sem conta, até saber quase de cor todas as letras das canções. Ofereci-o a várias pessoas, como costumo fazer quando gosto muito de alguma coisa.


La Lhorona é a personagem principal de uma lenda mexicana muito conhecida naquele país, sobre a qual se pode saber mais aqui.
Living Road, de 1993, que tem a ver com a vida itinerante da cantora, não me surpreendeu do mesmo modo. Apesar de também gostar , talvez tenha criado demasiada expectativa depois de La Lhorona. Hoje, a música de fundo duma reportagem que passou num dos telejornais, foi precisamente "De cara a la pared", por isso me lembrei de lembrar aqui estes dois CD.
Para quem quiser saber as letras basta clicar aqui.

CC CIDADE DO PORTO

















Restaurante self-service no Centro Comercial Cidade do Porto. Visto do último andar parece um restaurante de bonecas, numa cidade de brincar.
Lembrei-me desta fotografia, que já tem alguns meses, porque me esqueci de ir a este Centro Comercial buscar uma coisa que lá comprei há já uns dias. É porque não me faz muita falta...

Fotografia - TINTA AZUL. 2007

20/10/07

DOIS LABIRINTOS

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Mais dois rabiscos.
Folhas de um caderno de argolas de papel grosso.
A tinta, soprada através de uma palha.
Quando tinha fôlego para isso...

Imagens - Digitalização de desenhos. TINTA AZUL.

DUAS ÁRVORES











































Hoje deu-me para revisitar uma pasta grande de desenhos e pinturas que existe cá em casa. Nunca soube desenhar, nem pintar. Mas sempre gostei de o fazer.
Gosto dos materiais, do papel, das telas, dos óleos, acrílicos, pastel...
Agora que perdi o pudor, pois não tenho pretensão alguma, a não ser o prazer que me dá, neste caso, que me deu, fazer estes borrões.
Têm muitos anos, mais de 15. Talvez por isso tenha olhado para eles de uma forma diferente, porque hoje, sendo a mesma, estou diferente. Olhei-os com serenidade. Por isso os ponho aqui nesta minha espécie de agenda do quotidiano, onde registo o que em cada dia me lembro, faço, vejo...enfim...pequenos detalhes, alguns momentos da vida de cada um dos dias.
Duas árvores rabiscadas com lápis pastel.

Imagens - Desenhos digitalizados. Tinta Azul.

APROXIMA DE TI ESSE CÁLICE ...

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Cálice. TINTA AZUL. 2007

19/10/07

19 DE OUTUBRO (2)

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Porque sei que iria rir com esta brincadeira que fiz duma fotografia dos galos de Barcelos que me ofereceu já lá vão muitos anos.
Aqui ficam eles, todos torcidos, como se estivessem a fazer surf.
Imagino que quem nos visse rir juntas pensasse: tão tola é a nora como a sogra.
Como gosto de poder dizer isto!

Imagem - Fotogafia com aplicação de filtro. TINTA AZUL. 19.10.07

19 DE OUTUBRO

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Fazia hoje 76 anos, se estivesse fisicamente presente entre nós.
Faz, porque está presente no lugar onde ficam os que amamos. No coração, na alma, seja onde for, dentro de nós.
Tenho para lhe oferecer as flores do jardim que me deixou e o cuidado com que cuido delas.
Tenho para dizer, as saudades que sinto, a falta que nos faz.


Fotografias - TINTA AZUL. 2007

AS GALINHAS DOS OVOS COLORIDOS

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Toda a gente conhece a história da galinha dos ovos de ouro. A ganância acabou com a galinha. Acabou com os ovos. Acabou com o ouro.
Esta é uma galinha prateada, parente de muitas outras, que põe ovos coloridos e tem uma crista tão colorida quanto os ovos que põe. Também, aqui, nesta história, a ganância pode querer acabar com estes brilhos e estas cores. Mas, inclino-me mais para a possibilidade dos vários matizes do cinzento, associados a outros tantos matizes da inveja serem o maior perigo para estas galinhas. Galinhas que por serem tão alegres irritam galinhas e galos que não gostam das cores do riso e da alegria. Estas galinhas dos ovos coloridos também têm os seus dias maus,...mas... aprenderam a gostar das cores e das suas infindáveis tonalidades e a querer pintar com elas as suas vidas e a dos outros. Têm, a seu favor, os coelhos da Páscoa que não prescindem da companhia dos ovos coloridos.

Para a Maria que faz hoje 10 anos.

Imagem -Desenho sobre fotografia digital. TINTA AZUL.

18/10/07

BOA NOITE

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Entre o Farol e o mar.
Glórias da manhã.

Boa noite.

Fotografia:TINTA AZUL. Montedor, manhã de Agosto de 2007

HERA MESMO

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Era e não era, para voltar a ser e a não ser outra vez. Basta um h para ser definitivamente.
Esta, que tem h, vive e cresce enroscada num tronco de pinheiro que a deixa trepar. Como se ela fosse da sua própria seiva.

Fotografia: TINTA AZUL Montedor, fins de Agosto de 2007.

17/10/07

LÍQUENES

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Hoje ao fim da manhã fui apanhada por uma daquelas dores de cabeça que vem acompanhada de enjoo e de uma enorme má disposição geral.
Não pude fazer o que o corpo tanto me pedia: vir para casa, deitar-me, ficar em silêncio, sem que ninguém me incomodasse. Tinha tantas coisas para fazer e não as podia adiar. Cheguei a casa já passava das 19.30, tomei um analgésico. Jantei. Senti-me melhor. Depois, sentei-me aqui, à frente do pc, para ver os emails. Apeteceu-me ver imagens que me arejassem, como se isso me ajudasse a ficar melhor. Lembrei-me, então, destes líquenes que captei numa rocha, que muito bem conheço, porque se eleva no monte, ao lado do caminho que me leva ao encontro do mar.
Os líquenes, nascem da combinação de uma alga com um fungo, ou seja, de uma relação simbiótica que nada tem a ver com dor de cabeça+enjoo=total má disposição. Podem ajudar na avaliação qualidade do ar. Dito de um modo ligeiro, em princípio onde há muitos líquenes não há poluição.
Descansei-me, assim, um pouco a olhar para esta rocha que, aqui, esconde o mar que tão bem conheço. Agora, embora ainda seja cedo, vou deitar-me. Levo a cabeça menos poluída e mais azul. Se, como diz o Zef, tudo que é azul é limpo, como o céu, pode ser que me ajude a dormir melhor.
Amanhã é dia de levantar às 5 e tal da manhã e não é para ir ver os líquenes à beira mar...

Fotografia - Tinta Azul. Montedor, 2007

16/10/07

MEMÓRIA DE ADRIANO

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Memória de Adriano


Nas tuas mãos tomaste uma guitarra
copo de vinho de alegria sã
sangria do suor e de cigarra
que à noite canta a festa da manhã.

Foste sempre o cantor que não se agarra
o que à terra chamou amante e irmã
mas também português que investe e marra
voz de alaúde e rosto de maçã.

O teu coração de ouro veio do Douro
num barco de vindimas de cantigas
tão generosas como a liberdade.

Resta de ti a ilha dum tesouro
a jóia com as pedras mais antigas
não é saudade, não! É amizade.

José Carlos Ary dos Santos

Porque hoje faz 25 anos que Adriano morreu.

Para saber mais sobre Adriano Correia de Oliveira clicar aqui e aqui. Fotografia daqui.

DE CÁ PRA LÁ DE LÁ PRA CÁ

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Pra lá e pra cá. Dia sim dia não.Quase. Paisagens à velocidade do Alfa-Pendular. Sabidas de cor. Quase.
Passa-se pelo sono, passa-se pelos papéis. Enjoa-se. Quase. Fecham-se os olhos e pensa-se no que é agradável, com intervalos de sobressalto, porque falta fazer tanta coisa!
A seguir a estes dias de tanto cansaço, outros dias virão.
Quem corre por gosto, cansa-se, mas não se importa. Digo eu. Costumo correr por gosto e não me importo de me cansar, mas estou a ficar cansada de correr. Quase.

Fotografia - Vista do Alfa-Pendular em andamento, claro!Lisboa-Porto. TINTA AZUL. Outubro 2007.

15/10/07

NA MEMÓRIA

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Há semanas.
Que não piso este chão cheio de folhas secas.
Que não passo por este tojo envolto numa seda fina e translúcida.
Que não olho o mar através destes pinheiros, enquanto caminho.
Que não me sento, para descansar, nas rochas à beira destas ondas vigorosas.
Que não vejo as gaivotas a voar neste céu tão azul.

Há semanas.
Que o tempo não me dá tempo.

Há semanas.
Que não piso, não passo, não olho, não me sento, não vejo.

E, no entanto, piso, passo, olho, sento-me e vejo.


Fotografias - TINTA AZUL, Montedor, Setembro 2007

OLHOS DE COMBOIO

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Olhou-me nos olhos e pareceu dizer: entra, que eu levo-te para casa.
Nunca um comboio me tinha olhado assim de frente. Gostei!

Fotografia - TINTA AZUL. 2007

14/10/07

FA[c]TOS

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Passei pelo alinhamento das notícias dum telejornal.
Só fixei os cabides. A maior parte dos fa[c]tos era irrelevante.

Fotografia - cabides de madeira, antigos, com inversão das cores.TINTA AZUL,2007.

TAXISTAS ESPECIAIS

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Na última ida a Lisboa, apanhei dois interessantes taxistas. O da manhã, começou por dizer-me que pela cor e corrente do Tejo devia estar a chover muito em Espanha, contando-me depois como conhecia bem este rio. Atravessou-o a nado 7 vezes, contudo, conhece quem já o atravessou 9 vezes e diz não saber se, ainda, será capaz de igualar esse recorde. Não me pareceu muito preocupado com isso, tem noção do perigo de tal aventura, pois a idade não perdoa. Tentei consolá-lo dizendo que atravessar o Tejo, com aquela largura imensa, uma única vez que fosse, era já uma enorme façanha, quanto mais 5 vezes!

O taxista da tarde, foi mais invulgar na conversa. Começou por me dizer que no dia em que um cliente entrar no seu táxi, e lhe diga que não tem pressa, lhe diga para ir com calma, esse cliente não pagará a corrida, portanto, eu que fixasse o número do carro.
Depois, como nunca ninguém fez [que eu não conhecesse], contou-me o seu dia tim tim por tim, com todos os detalhes. Começou por dizer que só acabava o trabalho às 5 da manhã e então contou-me todo o seu dia a partir dessa hora. Que chegou a casa, comeu uma esparguetada que lhe soube muito bem, se deitou, mas pouco depois se levantou e foi com o filho comprar uns ténis ao Carrefour, porque lho tinha prometido. Que almoçou às tantas horas e o quê. Que, depois, meteu roupa na máquina e o quê. Que pôs amaciador. Que fez zapping. Que adormeceu um pouco no sofá. Que fez outra máquina de roupa, desta vez branca. Que pôs a roupa a secar, embora tivesse secador de roupa. Que tinha tomado um banho, vestido roupa lavada e ali estava a começar mais um dia de trabalho. Acabado o relato do dia, falou-me da gente da noite. Que gostava. Que havia gente boa. Que havia episódios engraçados. Ambos comentámos que, esses episódios, só os conhece quem os vê, pois o que nos dizem da noite, é que é perigosa, só é notícia aquilo que corre mal. Mas isso, já todos nós sabemos. Concordámos. Foi-me contando mais. Fui-o escutanto, porque quem assim fala é porque precisa e a mim nada me custava ouvir e às vezes até gosto. Para terminar e porque estavámos quase a chegar ao destino, contou-me o que, eventualmente, considerava mais importante. Que tinha sido seleccionado entre 30 colegas para fazer o anúncio do Actimel. E lá me repetiu o argumento do anúncio, embora eu o soubesse, porque faz parte de uma série de anúncios em que é escolhido um profissional de determinada ramo, considerado de desgaste e lá lá lá, o Actimel reforça as defesas e ajuda a cumprir muito melhor a missão profissional de cada um com tanto casei imunitas. Disse-lhe que eu não seria capaz de fazer um anúncio duma coisa que não gostasse, mas que de Actimel gostava muito e que ía estar com atenção para não perder o anúncio, e que ía dizer a toda a gente que o conheço!
E pronto, acabou a viagem. Boa sorte com o trabalho de noite. Boa sorte com o anúncio. Boa viagem menina [como gosto quando, ainda, me tratam por menina].
Portanto, já sabem, o próximo anúncio desta marca, que seja protagonizado por um taxista, é este meu taxista, a quem não perguntei o nome, mas cuja cara me lembro perfeitamente.Talvez o volte a encontrar nas ruas de Lisboa, para lhe dizer que estava muito bem na televisão, e que não tenho presssa nenhuma, que vá devagar e que me pode contar o seu dia...

Fotografias - Praça de táxis frente à Estação de Santa Apolónia. TINTA AZUL, 2007.