08/12/07

GRINALDA

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Trepadeira que se fez grinalda, como se houvesse casamento.
[Das nuvens com o céu. Quem sabe?]


Fotografia - Entrada [saída] do Restaurante Paraíso Douro. Serra das Meadas. TINTA AZUL.Lamego.8.12.07

UM CÉU BEM PERTO DO MEU

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Delicados movimentos nublados
de azul, azul e mais azul
e tons cinza esbranquiçados.

Um céu bem perto do meu.

Fotografias - Vista da Serra das Meadas. Lamego.TINTA AZUL.8.12.07

O RIO DOURO AO LONGE...

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O rio Douro, lá longe, aos pés da cidade da Régua.
Ainda bem que à distância os prédios, despropositados numa paisagem de socalcos, não conseguem estragar tanta beleza.
[Porque é que os que lá estão, ou estiveram, os deixaram fazer assim?]

Fotografias - Vista sobre o Douro. Serra das Meadas.Lamego.TINTA AZUL.8.12.07

"PARA LÁ DO MARÃO MANDAM OS QUE LÁ ESTÃO"

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Varanda com vista para onde quem lá está é que manda.
[Porque deixaram pôr aquela antena ali, assim?]


Fotografias - Vista do Restaurante Paraíso Douro. Serra das Meadas.Lamego.TINTA AZUL.8.12.07

COM ROUPA E SEMINUA

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De uma serra perto da minha.
Um carvalho bem vestido.
Outra árvore, lindamente, meio despida.
As cores do Outono e as cores do céu e dos montes.


Fotografias - Serra das Meadas. Lamego.TINTA AZUL.8.12.07

07/12/07

NO MAR

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Olhar
os barcos e os peixes
no mar.

Imagem - Desenho digital.TINTA AZUL.Nov.07

[CO] MOVER

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O que mais me comove
é, sem dúvida,
o que mais me move.


Imagem - desenho digital. TINTA AZUL.7.12.07

06/12/07

MÃE E FILHA

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Porque, me perguntam - mesmo quem conhece - se a menina da fotografia aqui ao lado é a minha filha, aqui fica ela quando tinha 4 anos de idade. Por mero acaso não está a sorrir muito, como sempre fazia para as fotografias.
A do lado sou mesmo eu, quando tinha 6 anos, com o meu querido Pai.

PLANETA AZUL

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Planeta.Poema
Extra-Solar
Sistema.


Imagem - Desenho digital a partir de fotografia de escadas.TINTA AZUL. 6.12.07

BASTIDOR

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Nestas dezenas de fios entrelaçados passam milhões e milhões de letras.
Milhares e milhares de palavras.
Centenas e centenas de frases. Escritas e ditas.
Alguns poemas talvez.

Fotografia - Detalhe de um bastidor.TINTA AZUL. 5.12.07

05/12/07

O POEMA ORIGINAL

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Original é o poeta
que se origina a si mesmo
que numa sílaba é seta
noutro pasmo ou cataclismo
o que se atira ao poema
como se fosse um abismo
e faz um filho às palavras
na cama do romantismo.
Original é o poeta
capaz de escrever um sismo.

Original é o poeta
de origem clara e comum
que sendo de toda a parte
não é de lugar algum.
O que gera a própria arte
na força de ser só um
por todos a quem a sorte faz
devorar um jejum.
Original é o poeta
que de todos for só um.

Original é o poeta
expulso do paraíso
por saber compreender
o que é o choro e o riso;
aquele que desce à rua
bebe copos quebra nozes
e ferra em quem tem juízo
versos brancos e ferozes.
Original é o poeta
que é gato de sete vozes.

Original é o poeta
que chegar ao despudor
de escrever todos os dias
como se fizesse amor.
Esse que despe a poesia
como se fosse uma mulher
e nela emprenha a alegria
de ser um homem qualquer.

José Carlos Ary dos Santos [1937-1984]


Imagem - Fotografia. Passeio. Calcário e basalto. TINTA AZUL.Lisboa.11.10.07

NAUFRÁGIO APARENTE

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Mar revolto. Nau frágil.
Gesto ágil. Cabelo solto.


Imagem - fotografia de quadrados de papel vincado [para fazer origami para enfeitar uma árvore de Natal ]. TINTA AZUL.5.12.07

03/12/07

PI = 3,14159 26535 89793 23846 26433 83279 50288 41971 69399 3751...

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Pi.
Um número irracional .
Um número transcendente .
Número.
Letras.
Palavras.


Fotografia. TINTA AZUL.4.11.07

ÂNGULOS [CO] RECTOS?

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Escada rolante.
Escada parada.
Rodei cada uma 45 graus.
Ver as coisas de outros ângulos.
Exercício interessante.

Fotografias - Escadas. Estação de Metro do Heroísmo. Porto. TINTA AZUL.3.12.07

02/12/07

ENTRE O PRETO E O BRANCO

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Porque no preto, no branco e em todos os matizes de cinzento, entretanto, há, quase, sempre umas cores escondidas à espera de serem descobertas. Quando não se encontram, está na hora de as inventar.

Fotografias - Fnac. Santa Catarina. Porto. Setembro 2007.

PERTO DE CASA 3

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Decidi, no início da Primavera deste ano, que não iria mais atravessá-la de olhos fechados, como tantas vezes já aconteceu. O mesmo estou a fazer com o Outono. Por isso, ontem por esta hora, estava o Sol prestes a pôr-se, fui dar um passeio, para que não passe mais nenhuma estação por mim. Quero ser eu a passar por elas também. Com os olhos da alma bem abertos.
Dedico estas imagens aos amigos brasileiros que não têm Outono.

Fotografias - Avª Periférica. Maia.TINTA AZUL.1.12.07

BRANCO PRETO BRANCO

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Acabei de chegar do Auditório da Biblioteca Almeida Garrett. Fui ver a peça BRANCO PRETO BRANCO pela Oficina de Teatro do Estabelecimento Prisional de Paços de Ferreira. Texto construído a partir de depoimentos dos reclusos e por eles [bem] interpretada.
Dura. Triste. A Realidade. Assim foi apresentada. Assim é.
Emocionei-me. Notável o trabalho das pessoas que, ainda, acreditam nos homens. Por isso os tratam como tal.

Fotografias - 1. e 2.estação metro PQM; 3. estátuas - Jardins Palácio Cristal. A caminho do Teatro.1.12.07.

01/12/07

MEMÓRIA DUMA NOTÍCIA IMPORTANTE

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Às vezes é bom ter que fazer mudanças. Descobri uma pasta cheia de memórias de há muitos anos atrás. Registos em papel que confirmam o que muitas vezes sinto e digo. Tempos, sem dúvida, extraordinários, em que todos [quase] sentíamos prazer em trabalhar naquele contexto. Um serviço público que fazia toda a diferença dos restantes. Um sentimento de pertença a um grupo com identidade forte. Era bom para o todo e bom para cada um.
Foi no meio de outros papéis que encontrei esta folha branca com estas linhas rectas e curvas traçadas. Fiz fotocópias e pus nas secretárias. Foi assim que dei a notícia de que ía ser mãe aos meus colegas [muitos deles amigos] de trabalho, faz por esta altura 18 anos. É bom ter memórias boas para lembrar. Abafam as outras.

Desenho. Tinta Azul. 1989.