20/01/08

DIFERENTES SENTIDOS

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Macia para o olhar
àspera, textura,
ao tactear.

Imagem - Fotografia. CCB.TINTA AZUL. 14.01.08

A SOMBRA DA SOMBRA

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Já se deitou há muito, a sombra. E dorme. Dorme profundamente. Deitada ao luar sonha com o Sol. É quem, entre todos, mais a faz sair da sombra.

Imagem - Fotografia. Maia. 19.01.08

19/01/08

RATO

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Atravessou-se-me no caminho. Tive que parar.
Não havia gato por perto.
Deixou-se fotografar.


Imagem - Fotografia. R. António Sérgio. TINTA AZUL. Maia. 19.01.08

TINTA RORIZ

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Inspiração casta.
Tinta roriz,
framboesa ginja e cassis.



Imagem - 1. Fotografia. Sombra de copo com vinho. 2. Fotografia manipulada de copo com vinho. TINTA AZUL. Janeiro 08.

PEQUENOS PRAZERES

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Vou poupar nas palavras.
Podem fazer-me falta noutras ocasiões em que precise mais delas.
Soube-me tão bem o jantar.

Imagens - Fotografias. TINTA AZUL. Janeiro 08.

ALOE VERA. VERO.

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São conhecidas as suas propriedades hidratantes. Constato a vera cidade, num passseio pelas suas ruas. Pode hidratar olhares desérticos. Torna-os macios e sedosos. Também é rico em proteínas. O aloe, também, é para comer ó subalimentados do sonho*. Vero?
Um pedaço de tarde de Inverno que soube a Prima Vera. Com Aloe. Vera.

Imagens - Fotografias. Maia. TINTA AZUL.19.01.08


* Natália Correia

18/01/08

CAMELLIA

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Todos os dias passo por ti várias vezes. Todas as vezes páro para te ver. De cada vez te vejo de novo. Nas formas. Na carne de que és feita. Na pele que te cobre. Descubro-te curvas e contra-curvas. Corpos de mulheres e homens encadeados uns nos outros. Ventres, nádegas, coxas, pernas, em prolongamentos sucessivos. Esculturas de mármore negro e granito, em estados diversos. Do enérgico ao lânguido, da firmeza à lassidão.

Depois, reparo nas pétalas caídas em teu redor. O chão pintalgado de vermelho carmim. Percebo, então, que deves ser a Dama das Camélias. No Porto chamam-te japoneira porque vieste do Japão. Não sei. És uma, feita de muitos. E ainda não te encontrei o olhar.


Imagens - Fotografias. Detalhes. TINTA AZUL.Janeiro 2008

17/01/08

AMIZADE

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À minha espera a M., de quem muito gosto.
A sua amizade. Mais uma porta que se abriu.
Com a certeza de que é bonito, limpo e claro o que está para lá dela.


Imagem - Fotografia. Buçaco. TINTA AZUL. Dezembro 2007.

PENSANDAR

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Paralelamente à linha do Metro.
Caminhei alguns quilómetros.
O passo em conformidade com o tempo que tinha para a viagem.
A humidade muita, sem que tivesse de recorrer ao guarda-chuva. A temperatura adequada à roupa que tinha vestido. O vento, ora fraco ora moderado, com velocidade e orientação compatíveis com a minhas.
Para dizer do pensamento é que não sei a que unidades de medida recorrer. Talvez precisasse de hertz, newton, pascal, joule, mole, watt, volt, ohm, weber, lúmen, lux, ...
No que me detive aqui e ali, estas árvores solitárias pensando com os seus galhos despidos. Pelo menos pareceu-me que sim. Que pensavam. Como eu.


Imagens - Fotografias. Entre a Srª da Hora e Matosinhos. TINTA AZUL. Janeiro 2008.

16/01/08

SONHAR

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Faz de conta que é o nascer-da-lua.
Faz de conta que o mar é de carbono puro.
Faz de conta que as rochas são maçãs verdes.
Faz de conta que a música das ondas é uma cantata de Bach.

Boa noite.

Imagem - Fotografia/Composição digital sobre fotografia de partitura de Bach. TINTA AZUL. Janeiro 08.

VOLTAR

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Para ficar, às vezes, é preciso partir.


Imagem - Fotografia. Sta Apolónia. TINTA AZUL.8.01.08

LUA

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Faz de conta que é a Lua.

Boa noite.


Imagem - Fotografia. Composição. CCB. TINTA AZUL.14.01.08

POEMA LIMO

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De não ser deus nem bicho
nem sossego de pedra
de reflectido lixo
faz-se o homem poeta

se de algo se de alga
a origem é incerta
se bruscamente breve
qual círculo na água
o homem para que serve?

Natália Correia
in Poesia Completa
Publicações D. Quixote, Lisboa 1999


Imagem - Fotografia. Reflexos. Buçaco. TINTA AZUL.1.01.08

15/01/08

UM TEATRO SEM TEATRO

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Entre um e outro teatro, uma pausa para ver UM TEATRO SEM TEATRO.
No CCB até 17.02.08.

Imagens - Fotografias [desfocadas...]. Exposição temporária Um Teatro sem Teatro.
Centro Cultural de Belém. TINTA AZUL. 14.01.08

14/01/08

CACHECOL

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Agasalha-me.
Quando tu mo pões,
enfeita-me.




Imagem - A partir de fotografia. Composição digital. TINTA AZUL. 8.01.08

13/01/08

LETRA A

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A de romã
- ao contrário, sem til -
entre as nuvens, pela manhã,
em celestial perfil.


Imagem - Fotografia. Viagem de comboio. TINTA AZUL.Pt-Lx. 11.01.08

DIAS CLAROS

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Sensibilidade. Afecto.
Projecto. Rigor. Exigência.
Lealdade.Transparência. (trans) Lucidez.
Sal da Terra*. Dias claros.*
Coisas [infelizmente] raras.

A J. Matias Alves, porque, hoje, tive a grata surpresa de ver que o blogue em destaque no nº 321 do jornal que dirige, o Correio da Educação, é aluaflutua. A J Matias Alves, porque integra o conjunto de pessoas que ao longo da minha vida me estimularam a desenvolver a sensibilidade e o afecto, o rigor e a exigência, a lealdade, a transparência e a (trans) lucidez.

*expressões muito utilizadas por JMA
Imagem - Fotografia. Montedor. Viana do Castelo.TINTA AZUL. 8.09.07

OLHAR O CÉU

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Viveu sempre virada para o céu, mas não o conseguia ver.
De tanto querer, nasceram-lhe olhos, sob fartas pestanas, para o poder admirar.
Gostou tanto que o queria partilhar.
De tanto gostar, no prolongamento dos galhos, cresceram-lhe dedos para o poder indicar.
Agora vive mais feliz, excepto, quando aponta o céu e é, apenas, no seu indicador que alguém detém o olhar.


Imagem - Fotografia. Resende. TINTA AZUL.6.01.08