03/08/08

18 ANOS JÁ AMANHÃ


Alguns dos desenhos e pinturas. Que começou muito pequenina a fazer. Que sempre gostou de fazer. Que foram guardados, quase todos com o registo da data. Posso ver como bem cedo passou da garatuja ao esboço do ser humano. Quando mais que um, a maior parte das vezes, de mãos dadas.
Que o desenho da sua vida continue a ser feito de tantas cores. De mãos dadas.
A música é a que gosta agora.
Agora, já amanhã, faz 18 anos.

BONNE NUIT

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Fotografia. UC. TINTA AZUL. 2.08.08


Foi esta hora, PM,
que guardei, num clicar
para ter esta hora, AM
agora, que me vou deitar.

Boa noite.


Ivry Gitlis
Valse Sentimentale de Tchaikovski

02/08/08

NICE DAY

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Fotografia.Telhado. Universidade de Coimbra.TINTA AZUL. 2.08.08

O meu primeiro dia de férias. Passeio turístico a Coimbra. O tempo esteve óptimo. Céu muito azul. Dia claro. Como os companheiros de viagem. Amigos. Daqueles a sério. Que sabem e gostam de rir.
A GP do Sarrabiscos foi a guia. E que bem guiou tudo, sempre com o seu singular sentido de humor.
Um dia muitíssimo agradável.




Concerto de Brandenburgo nº3 - JS Bach

ZECA AFONSO [1929-1987]

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Porque fazia hoje 79 anos.
Pela extraordinária voz. Por tudo.
E, também, porque hoje fui a Coimbra.




Canção de Embalar - Zeca Afonso

VERÃO O VERÃO

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Abriu-se a porta
azul no escuro
recorta
nos olhos a fome
Verão que se come
maduro.


Imagem - Fotografia. TINTA AZUL.2007

01/08/08

NEY MATOGROSSO

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Porque canta muitíssimo bem.
Porque faz hoje 67 anos.




Ney Matogrosso canta Rosa de Hiroshima
Poema - Vinicius de Moraes
Música -
Gerson Conradi

Imagens daqui, daqui, daqui e daqui.

AGOSTO. A GOSTO.

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A gosto entro em Agosto.

Imagem - Fotografia com texto sobreposto. TINTA AZUL.31.07.08

31/07/08

CANÇÃO DA CANÇÃO TRISTE

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Fotografia. TINTA AZUL.2008.

Hoje o dia está triste. Mas eu nem por isso. Muito cansada, sim. Particularmente triste, não. Não é pelo dia estar triste que eu fico triste. E às vezes. Fico. Quando as pessoas me fazem os dias tristes. Não a chuva. Que a chuva pode ser bom tempo. Se for bom o tempo. O que está dentro de nós.
E a canção não é triste. É. A canção da canção triste. Que é outra coisa.

Canção da Canção Triste - Manuel Cruz

SINFONIA FLAMENCA

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Sinfonia Flamenca [2º andamento] - Juan Carmona
Juan Carmona Grupo com a Orquestra Nacional de Lyon
Direcção de Dominique Debart

Porque acabei de a ouvir no Auditório de Música de Espinho. Porque gostei do concerto. E... porque já é tarde e estou muito cansada, ver aqui o que falta.

29/07/08

HOJE APETECEU-ME OUVIR OS WATERBOYS

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Fotografia. Praia do Forte. Carreço. TINTA AZUL.20.07.08

Porque estou saturada de algumas horas dos dias.
Porque estou mesmo mesmo a precisar de férias.
E de andar por aí.
E do mar.
E desta praia.
E de muito ar.
E de descansar.
Muito.



This is the Sea - The Waterboys

AL MOÇO E DUAS RAPARIGAS

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Fotografia. TINTA AZUL. 29.07.08

Queijo fresco,
presunto,
oregãos,
mostarda.
Tudo aconchegado,
entre duas fatias
de pão escuro
tostado.
Fino, elegante,
de cerveja dourada.
Adiante
duas pontes brancas.
O Douro ali ao lado,
dum almoço
breve, frugal,
mas descansado.

CLAIR DE LUNE

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Fotografia. TINTA AZUL.15.03.08

Boa noite.
A tua
a minha
e a nossa.
Boa noite,
também,
a vossa.
Que a lua
já há muito
flutua.




David Oistrakh
Debussy - Clair de Lune

28/07/08

POEMA

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A minha vida é o mar o Abril a rua
O meu interior é uma atenção voltada para fora
O meu viver escuta
A frase que de coisa em coisa silabada
Grava no espaço e no tempo a sua escrita

Não trago Deus em mim mas no mundo o procuro
Sabendo que o real o mostrará

Não tenho explicações
Olho e confronto
E por método é nu meu pensamento

A terra o sol o vento o mar
São a minha biografia e são meu rosto

Por isso não me peçam cartão de identidade
Pois nenhum outro senão o mundo tenho
Não me peçam opiniões nem entrevistas
Não me perguntem datas nem moradas
De tudo quanto vejo me acrescento

E a hora da minha morte aflora lentamente
Cada dia preparada

Sophia de Mello Breyner Andresen

Fotografia - TINTA AZUL.20.07.08

27/07/08

LAÇOS

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TINTA AZUL. Composição a partir de fotografia da gravata do J.27.07.08

Dá-se o nó. Aperta-se em nós.
Dá-se, em aperto, a mão.
Refazem-se, reforçados, os laços
em shots de emoção.
Com as cores da alegria,
abrem-se, aos pares, os braços.
Quatro, fechados, num abraço,
fazendo-se, em poucos traços,
o desenho de um belo dia.



Here we go again - Norah Jones & Ray Charles

26/07/08

H e T. HOJE

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Fotografia - Flor de cacto. TINTA AZUL. 23.06.08



Bridal Chorus [Here Comes The Bride]
Richard Wagner - Lohengrin

25/07/08

DIA DE SÃO CRISTOVÃO

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A missa campal. A procissão. A capela. A devoção. O S.Cristovão. Os cravos oferecidos ao Santo, vermelhos de preferência. Para que os cravos, os do corpo, desaparecessem. De joelhos à volta da capela, Tanta promessa a ser cumprida. O sangue a pintar as pernas. Vermelho como os cravos.
Que diferentes as missas no meio do monte. No penedo feito palco sem qualquer intervenção humana. De vir a esta nem me importo. Pode-se estar distraído a olhar para onde nos apetecer. E há tanto pra onde olhar.
A vista daqui é tão linda. Que paisagem deslumbrante! Vem gente de tão longe. Tanta gente a olhar a vastidão dos montes. A grandeza. O Marão e tantas serras atrás dele. O Douro a serpentear lá ao fundo. Prá ali fica o Porto. Dantes via-se o Farol da Boa Nova. Dali de cima vê-se o Castelo de Penedono. Impossível. Vê-se vê-se. Ali ali. E do alto do malhão vê-se a Serra da Estrela quando tem neve. Ora ora. Isso fica tão longe. Pois fica mas vê-se, que aqui é muito alto.
E vê-se tanta coisa dali. E vê-se o horizonte tão distante. E o céu tão azul ali mesmo por cima de nós, sem mais nada de permeio.
A multidão. A romaria. O calor. O pó. A feira. O gado, as muitas vacas e um ou outro boi, as toiras, os toiros, ai que medo se vêm atrás de nós. Os guardadores, os vendedores, o negócio. As tendas de todas as coisas. Os chapéus, de feltro, de palha, as fitas dos chapéus, as cestas, os cestos, os cesteiros. O pão, os doces, o doce da teixeira, os doceiros. Os comes e bebes, o vinho, muito que está calor, o sumol de laranja, de ananás, uma ou outra larangina C. Os vendedores de água fresca, trazida da nascente. O cântaro, o copo de folha com asa. Que fresquinha.
E as partes descobertas do corpo a ficarem queimadas. Que não há protectores solares, o Sol ainda não faz mal. E não se fala em buracos de Ozono.
A sombra. A merenda. Os cestos, as toalhas e tudo mais que é preciso. O arroz do forno. O anho assado. As sobremesas. Está sempre tudo tão bom. Sabe sempre tudo tão bem. O ribeiro a correr. O corpo estendido na erva. As tias, os tios, os primos, os outros tios dos primos, os outros sobrinhos dos tios. Primos de graus diferentes.
E o Penedo Coelhoso. A lenda da Moura encantada. Pra subir é por ali. É tão grande. Agora por onde havemos de descer. Não caias. É tão alto. Ali era a cozinha da Moura. Ali era o quarto. Estás a ver aquela covinha?
E mais feira e mais tudo, para lá e para cá, tanta gente e tantas coisas. A música. O barulho, tanto barulho. Os homens falam alto, as varas nas mãos, agitadas. Vai haver barulho. A tarde já vai alta. Muito calor. Os homens queimados. Muito vinho. Que barulho. Há pancada. Quem os aparta. Ai Nossa Senhora. Valha-me Deus. Tem a cabeça rachada. Não é nada. Já acabou. Vamos mas é embora que a festa já deu o que tinha a dar e o melhor é irmos andando antes que haja mais confusão.
Num dia 25 de Julho há muito tempo atrás. [Ou um dia 25 de Julho, na memória de hoje, feito de recortes de vários dias 25 de Julho].
...
A tenda dos brinquedos. Um trem de cozinha, de alumínio, completo. Os tachos, as panelas, a cafeteira, o fervedor do leite, a frigideira, a concha da sopa, a espumadeira.... Completíssimo. Um saquinho de plástico transparente com aquilo tudo lá dentro à espera dos cozinhados do dia seguinte. Na cozinha de brincar, atrás da casa, feita de pedaços de tijolos. Ainda hoje se pode ver uma marca da sua construção. Uma pequena cicatriz no polegar esquerdo, resultado do corte provocado por um bocado de tijolo.
Num dia 25 de Julho, dia de S. Cristovão. Eu, muito pequenina, tão contente com o saquinho na mão. Talvez com um vestido azul claro [ou amarelo pálido?] de bordado inglês. De mão dada com o meu pai.
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[E neste tempo em que o tempo passa a correr não houve tempo de uma escrita cuidada. Veio de sopetão o turbilhão de memórias misturadas umas nas outras, todas de um dia 25, feito de tantos dias 25. A seu tempo o texto será relido e refeito.]

Imagens - Fotografias. Monte de São Cristovão. Felgueiras. Resende. TINTA AZUL. 22.06.08

24/07/08

DOIS ANOS

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A lua flutua, aqui,
faz hoje 2 anos.
Começou assim:




Nenúfares

Um nenúfar flutua
na mesma água
que a lua.


Jorge de Sousa Braga
in Fogo Sobre Fogo. Fenda, 1998.



From the beginning - Emerson, Lake & Palmer

23/07/08

REPOUSO

TINTA AZUL.20.07.08

Palavras.
Ásperas. Macias.


Sons.
Ruídos. Melodias.


Cores
do desenho dos dias.




Fiure
Polifonias Corsas [2004] - Barbara Furtuna



Parce mihi domine [Christóbal de Morales (1500-1553)]
Officium [1994] - Jan Garbarek and The Hilliard Ensemble