Trouxe-a do Oceanário em Maio, Primavera. Guardei-a, na sua pose real. Contemplei-a, na sua contemplação, pensativa, ausente. Saudades do Hemisfério Sul? De voar sobre as Falkland, ou Malvinas?
Agora que chegou o Outono e todas as outras partiram. Deixo-a aqui, sem dono, para quem a quiser admirar.
. Voltou daqui. Porque lhe quero bem. De olhar azul. Branco. Puro. Perfeito . No movimento. Ilusão óptica. .
PRECISÃO
O que me tranquiliza é que tudo o que existe, existe com uma precisão absoluta. O que for do tamanho de uma cabeça de alfinete não transborda nem uma fração de milímetro além do tamanho de uma cabeça de alfinete. Tudo o que existe é de uma grande exatidão. Pena é que a maior parte do que existe com essa exatidão nos é tecnicamente invisível. O bom é que a verdade chega a nós como um sentido secreto das coisas. Nós terminamos adivinhando, confusos, a perfeição.
. No dia das eleições autárquicas no Brasil, instantâneos da campanha eleitoral no Rio de Janeiro e em Niterói.
O que atravessa a passadeira pela mão de três homens - Eduardo Paes - ficou em 1º lugar tendo que disputar, agora, o cargo de Prefeito do Rio de Janeiro, numa 2ª volta [2º turno], com Fernando Gabeira.
Vi cenas de campanha, para estas eleições, verdadeiramente hilariantes. Não fosse tratar-se de um assunto sério, seria um bom espectáculo de humor.
Havia um candidato cujo valor que se acrescentava era ser devoto do Santo Expedito, o que estava inscrito no seu cartaz ao lado da fotografia, onde se apresentava com uma estatueta do santo ao colo.
Depois de ter visto alguns tempos de antena dedicados às eleições compreendi o dilema dos meus primos eleitores no Rio de Janeiro. Em quem votar?
Espero que o futuro Prefeito não seja de todo imperfeito para a grande e bela cidade do Rio de Janeiro.
Em Niterói, Jorge Roberto da Silveira chegou mesmo ao coração dos eleitores. Venceu.
Brasil - Cazuza
Fotografias. Tinta Azul. Rio de Janeiro e Niterói. Agosto 2008.
A programação apresenta o teatro cómico em todas as suas dimensões e disciplinas, da grande comédia ao teatro de rua, do musical à mimica, do “stand-up-comedy” ao novo circo, das marionetas ao café-teatro, trazendo à cidade da Maia prestigiadas companhias nacionais e estrangeiras que apresentam os seus espectáculos para um numeroso público, que na última edição ultrapassou os 12 mil espectadores.
A edição deste ano apresentará mais de 25 companhias portuguesas e outras vindas de Espanha, Bélgica, Austrália, Inglaterra, Chile, Itália, Alemanha e Cabo Verde.
Um especial relevo para a presença de Maria do Céu Guerra e o seu premiado espectáculo “O Pranto de Maria Prada” um texto do nosso Gil Vicente e o regresso, com novos espectáculos, de dois grandes mestres do teatro cómico internacional, a britânica Nola Rae, o belga Elliot e a companhia portuguesa do Chapitô, que tanto êxito alcançaram em edições anteriores.
Este ano também, destaques especiais para a premiada companhia australiana de Joel Salom e, para o mestre de mímica, o belga Joseph Collard.
No dia Nacional da Água, atravessei o Rio Douro na Barragem do Carrapatelo. Até Cinfães.
No dia que é, também, de Santa Cecília.
Trouxe rios apertados entre as margens. Trouxe pontes que é preciso atravessar. Trouxe sons que é urgente afinar. Trouxe...
E, entre tanto, trouxe também
O cheiro das laranjas e das maçãs.
O som de uma música.
[Em acordes de violinos. Memória das mãos que os faziam. De outras que os tocavam. E de outras, mais longínquas. As que talvez tivessem feito com que a música corra dentro de mim. Como os rios.]