Sou um guardador de rebanhos. O rebanho é os meus pensamentos E os meus pensamentos são todos sensações. Penso com os olhos e com os ouvidos E com as mãos e os pés E com o nariz e a boca. Pensar uma flor é vê-la e cheirá-la E comer um fruto é saber-lhe o sentido. Por isso quando num dia de calor Me sinto triste de gozá-lo tanto. E me deito ao comprido na erva, E fecho os olhos quentes, Sinto todo o meu corpo deitado na realidade, Sei a verdade e sou feliz.
Alberto Caeiro,
in O Guardador de Rebanhos
- JS Bach Concerto para 2 violinos - 2º andto Yehudi Menuhin e David Oistrakh
É dia no outro mundo Dos versos. Abriu-se a noite num halo De véu caído, E uma mensagem de charco Purificado Entra, branca, no ouvido... E há um ouvido acordado.
Enquanto desço a Avenida o meu olhar sobe. Até ao céu. Sigo em frente, ficando para trás, a guardar geometrias azuis desenhadas, por entre outras formas e outras cores, à luz do Sol que se sente mas que já não se vê.
- E Withacre Lux Aurumque The Concordia Choir Direcção-René Clausen
NoDia Mundial da Criançaficam aqui três amostras [Miró-Francisco; Paul Klee - Nuno Miguel; Alexandre - Kandinsky]de umconjunto de interessantes analogias formais, cromáticas e expressivas entre o que faz a criança, o naif, o primitivo e o artista moderno. A Arte Moderna foi renovar-se numa antiguidade que a arte académica já não tinha olhos para alcançar - Almada Negreiros[...]
Dalila D'Alte Rodriguesem
A infância da Arte, a arte da infânciaEdições Asa. 2002.
Além do importante contributo para compreender melhor a, imprescindível, presença das artes na educação das crianças e jovens, é, também, um livro muito bonito que dá gosto olhar demoradamente.
Clicar nas imagens para ampliar.
_________________
Porque os tempos - o físico e o psicológico - não me deram tempo para um post novo, e porque há dias que deviam ser todos os dias, reponho este de 2008. Acrescento-lhe, no entanto, a música Cenas de Infância de Robert Schumann.
Rosa em verso, rosa em prosa: rosa rosa. Verdadeira, recortada, sempre votiva é a rosa. Quem a dá, quem a ostenta, quem a colhe, quem a inventa, quem dela - a rosa - se lembra faz o voto de quebrar a pessoal solidão. Se não troco o pão por rosas, não troco a rosa por pão. Rosa. Rosa em verso, rosa em prosa: rosa rosa. Rosa nome, rosa coisa, rosa flor, rosa rosa, rosa traço de união. Rosa fugaz, recolhida noutra rosa já nascida. De rosa em rosa é a vida. Ó rosa breve fulgor, lampejo na escuridão. Se não troco o pão por rosas, não troco a rosa por pão.