02/11/08

GENESIS

.
















De mim não falo mais: não quero nada.
De Deus não falo: não tem outro abrigo.
Não falarei também do mundo antigo,
pois nasce e morre em cada madrugada.

Nem de existir,que é a vida atraiçoada,
para sentir o tempo andar comigo;
nem de viver,que é liberdade errada,
e foge todo o Amor quando o persigo.

Por mais justiça ... -Ai quantos que eram novos
em vâo a esperaram porque nunca a viram!
E a eternidade...Ó transfusâo dos povos!

Não há verdade: O mundo não a esconde.
Tudo se vê: só se não sabe aonde.
Mortais ou imortais, todos mentiram.


Jorge de Sena [1919-1978]

No dia do aniversário do seu nascimento.


Fotografia - TINTA AZUL. 19.04.08

5 comentários:

Duarte disse...

Poema denso, duro, como a vida mesma.

Bonita fotografia

:))

Besos

mariam disse...

parabéns p'la homenagem... não se fala muito de Jorge de Sena!
a fotografia é lida! adoro céus...
este poema é terrível! mas tristemente real em tantos aspectos... logo eu que tendo em ser tão naif... mas reconheço que a vida, hoje está agreste e as pessoas (muitas) e os valores ... também ...

boa semana
um sorriso :)
mariam

António disse...

Amiga!
Boa escolha! Este espaço tem muito boas combinações.
Imagens, músicas, prosa e poesia tudo combina...
Abraços! António

Anónimo disse...

Voltei. Non deixan de sorprenderme os blogs das mulheres portuguesas, sempre cheos de poética beleza.

Lendo os poemas de Jorge de Sousa aprendín fermosas palabras portuguesas, por exemplo, pirilampo, mamilo, lapela, beija-flor, e unha que me fai rir: comichão.

Voltei para seguir a sorprenderme da luz que teñen as maças deste quintal.



A vizinha da outra beira do rio.

Tinta Azul disse...

Vizinha da outra beira do rio,

é um prazer receber visitas tão agradáveis.
Volta sempre.Para aprender mais palavras. E já agora, ensina-me também.

E beijos para a vizinha e todos os vizinhos habituais
Duarte
mariam
antónio.
:)