27/04/08

O MAR

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Ondas que descansam no seu gesto nupcial
abrem-se caem
amorosamente sobre os próprios lábios
e a areia
ancas verdes violetas na violência viva
rumor do ilimite na gravidez da água
sussurros gritos minerais inércia magnífica
volúpia de agonia movimentos de amor
morte em cada onda sublevação inaugural
abre-se o corpo que ama na consciência nua
e o corpo é o instante nunca mais e sempre
ó seios e nuvens que na areia se despenham
ó vento anterior ao vento ó cabeças espumosas
ó silêncio sobre o estrépito de amorosas explosões
ó eternidade do mar ensimesmado unânime
em amor e desamor de anónimos amplexos
múltiplo e uno nas suas baixelas cintilantes
ó mar ó presença ondulada do infinito
ó retorno incessante da paixão frigidíssima
ó violenta indolência sempre longínqua sempre ausente
ó catedral profunda que desmoronando-se permanece!

António Ramos Rosa

Porque hoje fui ver o meu mar.
Porque, quando me sento nas rochas a contemplá-lo,
quase sempre, me aparece, no horizonte,
este belíssimo mar
de António Ramos Rosa.


Imagem - Fotografia. TINTA AZUL.Montedor. 27.04.08

3 comentários:

José Manuel Dias disse...

O mar ainda nos torna mais pequenos...é bom para darmos valor às grandes coisas.

um Ar de disse...

Este é mesmo o "teu" mar!...

[Invejazinha saudável, a minha...]

BEIJO de maresia

vbm disse...

Quase todas,
as do mar!